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	<title>Comentários ao Evangelho</title>
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		<title>Comentários ao Evangelho</title>
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			<item>
		<title>O início da vida pública</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Feb 2008 14:22:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daviddomingues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tempo Comum]]></category>
		<category><![CDATA[Arautos]]></category>
		<category><![CDATA[Joao Batista]]></category>
		<category><![CDATA[Joao Cla Dias]]></category>
		<category><![CDATA[Reino dos Ceus]]></category>

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		<description><![CDATA[Pe. João Scognamiglio Clá Dias, E.P. 
Revista Arautos do Evangelho n 73 – Janeiro 2008 
3º Domingo do Tempo Comum 
O início da vida pública






Por que terá escolhido Jesus a diminuta Nazaré para viver, e a dissoluta Cafarnaum para iniciar Sua pregação? Na vida do Salvador todos os acontecimentos se explicam por elevadas razões de sabedoria.  



Evangelho

Tendo Jesus ouvido [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=comentarioaosevangelho.wordpress.com&blog=2824271&post=6&subd=comentarioaosevangelho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="left"><span style="font-family:Arial;"><font color="#b6000a">Pe. João Scognamiglio Clá Dias, E.P.</font></span><span style="font-family:Arial;"><font color="#b6000a"> </font></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="color:windowtext;font-family:Arial;">Revista Arautos do Evangelho n 73 – Janeiro 2008</span><span style="font-family:Arial;"><font color="#b6000a"> </font></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><font color="#b6000a">3º Domingo do Tempo Comum</font></span><span style="font-family:Arial;"><font color="#b6000a"> </font></span></p>
<p align="center"><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-size:28pt;line-height:120%;font-family:Arial;"><strong><em><font color="#b6000a">O início da vida pública</font></em></strong></span></p>
<p><span style="font-size:28pt;line-height:120%;font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><font size="4"><font color="#443a8c"><span style="font-family:Arial;"><font size="5"></p>
<div style="text-align:center;"><img src="http://comentarioaosevangelho.files.wordpress.com/2008/02/sao-joao-batista.gif" alt="sao-joao-batista.gif" /></div>
<p></font></span></font></font></span></p>
<blockquote>
<blockquote>
<h2 align="center"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-family:Arial;"></span></span></h2>
<h2 align="center"><span style="font-family:Arial;">Por que terá escolhido Jesus a diminuta Nazaré para viver, e a dissoluta Cafarnaum para iniciar Sua pregação? Na vida do Salvador todos os acontecimentos se explicam por elevadas razões de sabedoria.</span><span style="font-family:Arial;"> </span><span style="font-family:Arial;"> </span></h2>
<h2 align="center"><span style="font-family:Arial;"></span></h2>
</blockquote>
</blockquote>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><b><span style="font-size:24pt;color:#a0000c;line-height:120%;font-family:Arial;font-variant:small-caps;">Evangelho</span></b></p>
<blockquote>
<blockquote><p><b><span style="font-size:24pt;color:#a0000c;line-height:120%;font-family:Arial;font-variant:small-caps;"></span></b><span style="font-size:30pt;color:#a0000c;line-height:120%;font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.25pt;"><font color="#443a8c">Tendo Jesus ouvido dizer que João fora preso, retirou-Se para a Galiléia. Depois, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, situada junto do mar, nos confins de Zabulon e Neftali, cumprindo-se o que tinha sido anunciado pelo profeta Isaías, quando disse: “Terra de Zabulon e terra de Neftali, terra que confina com o mar, país além do Jordão, Galiléia dos gentios! Este povo, que jazia nas trevas, viu uma grande luz, e uma luz levantou-se para os que jaziam na sombra da morte.” Desde então, começou Jesus a pregar: “Fazei penitência porque está próximo o Reino dos Céus”.</font></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.25pt;"><font color="#443a8c">Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. “Segui-Me”, disse-lhes, “e Eu vos farei pescadores de homens.” E eles, imediatamente, deixando as redes O seguiram. Passando adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca, juntamente com seu pai Zebedeu, consertando as suas redes. E chamou-os. Eles, deixando imediatamente a barca e o pai, seguiram-no.</font></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.25pt;"><font color="#443a8c">Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas e pregando o Evangelho do Reino de Deus, e curando todas as enfermidades entre o povo (Mt 4, 12-23).</font></span></p></blockquote>
</blockquote>
<p><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.25pt;"></span><span style="font-family:Arial;"><strong><font color="#a0000c">I – Fim do regime da lei e dos profetas</font></strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">João Batista é um importante marco na História da salvação, pois com ele termina a antiga Lei e se inicia a nova <span class="Footnotereference">1</span>. Até ele, encontramos o regime da lei e dos profetas; a partir dele, abre-se a era do Reino dos Céus (cf. Mt 11, 12-13). Figura única na História, adornada em vida de um prestígio incomparável, se levanta misteriosa e solene no encontro de ambos os Testamentos <span class="Footnotereference">2</span>.</font></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:-0.1pt;"><font size="2">Homem muito peculiar, a começar pela previsão de sua vinda, pronunciada pelos lábios de Malaquias (3, 1): <i>“Eis que mando o meu anjo, e ele preparará o caminho diante da minha face. E imediatamente o Dominador que vós buscais, e o anjo do testamento que desejais, virá ao seu templo.” </i>Se <i>sui generis</i> foi o anúncio de sua aparição, menos singular não foi o de sua missão profetizada por Isaías (40, 3): <i>“Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai na solidão as veredas de nosso Deus”.</i></font></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">Teve ele o grande privilégio de ser santificado pela voz da própria Mãe de Deus, estando ainda em gestação no claustro maternal de Santa Isabel: <i>“Porque logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino exultou de alegria no meu ventre”</i> (Lc 1, 44). Seu nascimento, além de assistido por Maria, contou com a presença de belos fenômenos místicos que se difundiram <i>“por todas as montanhas da Judéia” </i>(Lc 1, 65), trazendo como efeito, no fundo do coração dos que ouviam seus relatos, a ponderação: <i>“Quem julgas que virá a ser este menino? Porque a mão do Senhor era com ele”</i> (Lc 1, 66). Tal foi aquele acontecimento que seu pai, Zacarias, pôs-se a profetizar, confirmando as antigas previsões sobre o menino (cf. Lc 1, 67-79).</font></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.2pt;"><font size="2">Depois de refugiar-se nos desertos <i>“até o dia de sua manifestação a Israel”</i> (Lc 1, 80), aparece realizando sua missão diante do povo que <i>“o considerava como um profeta”</i> (Mt 14, 5; 21, 26). <i>“E ia ter com ele toda a terra da Judéia e todos os de Jerusalém”</i> (Mc 1, 5). <i>“E as multidões interrogavam-no, dizendo: ‘Que devemos, pois, nós fazer?’ </i>[...]<i> E foram também publicanos para ser batizados e disseram-lhe: ‘Mestre, que devemos fazer?’ </i>[...]<i> Interrogavam-no também soldados &#8230;”</i> (Lc 3, 10-14). </font></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.1pt;"><font size="2">Sua presença, suas palavras e até mesmo a forma de vida por ele adotada, colocavam <i>“o povo em ansiosa expectativa e pensando, todos, se seria ele o Messias” </i>(Lc 3, 15), a ponto de ver-se na contingência de afirmar categoricamente aos sacerdotes e levitas enviados pelos judeus de Jerusalém para interrogá-lo: <i>“Não sou eu o Messias”</i> (Jo 1, 20). E mais tarde a voz de Cristo assim o classificaria: <i>“Um profeta? Sim, vos digo eu, e ainda mais do que profeta”</i> (Mt 11, 9). <i>“Em verdade vos digo que entre os nascidos de mulher não veio ao mundo outro maior que João, o Batista”</i> (Mt 11, 11).</font></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:-0.1pt;"><font size="2">A prisão desse varão, o Precursor, tomado em plenitude pelo Espírito Santo (Lc 1, 15), determina o fim do regime da Lei e dos profetas e o começo da pregação sobre o Reino dos Céus, conforme veremos na Liturgia deste 3º Domingo do Tempo Comum.</font></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;letter-spacing:-0.1pt;"></span><span style="font-family:Arial;"><strong><font color="#a0000c">II – Jesus Se retira para a Galiléia</font></strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><font color="#443a8c">Tendo Jesus ouvido dizer que João fora preso, retirou-Se para a Galiléia.</font></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><i><span style="font-family:Arial;letter-spacing:-0.05pt;"><font size="2">“Entre o jejum e as tentações de Cristo no deserto e a prisão e martírio do Batista — que São Mateus contará detalhadamente mais adiante (Mt 14, 3-12) — decorre um lapso de tempo de alguns meses, durante o qual Jesus exercita seu primeiro ministério nas terras da Judéia e Samaria. O evangelista São João é o único que nos faz conhecer essa lacuna deixada pelos sinópticos. Jesus Cristo, depois dos quarenta dias que passou no deserto, voltou para onde estava o Batista, pregando às margens do Jordão. Ao vê-Lo, João testemunha que Aquele é o Cordeiro que vem destruir o pecado no mundo, e alguns discípulos começam a seguir Jesus. Este vem com eles para a Galiléia, onde opera seu primeiro milagre em Caná; dali parte para Cafarnaum; depois de poucos dias volta à Judéia para celebrar a páscoa. Prega e opera alguns milagres em Jerusalém, o que dá ocasião ao colóquio noturno com Nicodemos. Durante alguns meses continua pregando nas regiões da Judéia e, nessa ocasião, é preso o Batista. Por este motivo, empreende Cristo sua volta à Galiléia, passando pela Samaria (Jo 1, 29–4, 3).</font></span></i><font size="2"><i><span style="font-family:Arial;">“São João Batista foi entregue ao tetrarca Herodes Antipas pelos escribas e fariseus, como insinua o mesmo Cristo mais adiante (Mt 17, 12). É esta a razão pela qual Cristo foge para a Galiléia, apesar de esta província estar sob o domínio de Herodes, inimigo do Batista. Os fariseus da Judéia ficavam muito incomodados — como adverte São João (4, 1) — pelo fato de os discípulos de Jesus serem mais numerosos que os do Batista, e teriam aproveitado, sem dúvida, qualquer ocasião favorável que se lhes apresentasse, para pôr também Cristo nas mãos de Herodes” </span></i><span class="Footnotereference"><span style="font-family:Arial;">3</span></span><span style="font-family:Arial;">.</span></font></p>
<p><font size="2"><span style="font-family:Arial;"></span></font><span style="font-family:Arial;"><strong><em><font color="#b6000a">Conduzido pelo Espírito Santo</font></em></strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">Como podemos comprovar, pelos Evangelhos, Jesus era conduzido pelo Espírito e, por um sopro dEle, se retira para a Galiléia. Não por temer o martírio, mas por não haver ainda chegado Sua hora. </font></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">É o próprio Espírito Santo que nos inspira sabiamente a escolher os tempos e os lugares. Ele é quem nos ensina quando devemos fugir das perseguições ou afrontá-las, em quais momentos temos obrigação de falar ou de calar, de manifestar-nos a todos ou de nos recolher. Se fôssemos inteiramente flexíveis aos sopros da graça do Espírito Santo, maravilhas sairiam de nossas mãos para a glória de Deus e da Santa Igreja, o bem dos outros e a santificação de nossas almas. </font></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">Infelizmente, com raras exceções, a humanidade se move, ao longo da História, muito mais pelo interesse pessoal, pela ambição, pela inveja, pelo amor próprio, pela vaidade, pelo prazer, em uma palavra, pelo pecado. Quão grande desperdício de dons, virtudes e graças, do qual se prestará contas diante do Juízo de Deus!</font></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">Jesus, muito pelo contrário, retira-se para a Galiléia a fim de ali começar Sua vida pública, com Suas primeiras pregações, confirmadas por prodigiosos e profusos milagres, ilustradas por insuperáveis parábolas. Ali estabeleceu o centro de Sua missão. </font></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">Oh feliz Galiléia! Tomara soubesses tirar todo o proveito de tão excelsa circunstância! Oh odienta Jerusalém, oh maldosa Judéia, vós perseguis o precursor e perdeis os benefícios da presença do Salvador. Justamente debaixo desse prisma é que se cifra a minha verdadeira felicidade, corresponder com perfeição aos toques da graça ou rejeitá-los. Eu devo temer a Jesus que passa e não retorna&#8230;</font></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><strong><em><font color="#b6000a">Razão sobrenatural: levar o remédio onde mais grave era o mal</font></em></strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><font color="#443a8c">Depois, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, situada junto do mar, nos confins de Zabulon e Neftali [...]</font></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">A propósito desse versículo, o próprio Maldonado chegou a equivocar-se, julgando haver duas Galiléias. Ao expor sua observação, o Revmo. Pe. Luis María Jiménez Font, S.J., com muita precisão desfaz o engano em nota ao pé da página, nestes termos: <i>“O autor </i><span> </span>[Maldonado] <i>faz uma distinção desnecessária. Não havia mais que uma Galiléia, governada por Herodes. Cristo Se retirou a Cafarnaum, onde podia viver sem perigo, porque estava na fronteira da tetrarquia de Filipo”</i> <span class="Footnotereference">4</span>.</font></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.2pt;"><font size="2">Como claramente se deduz, foi por motivos ocasionais que Jesus <i>“Se retirou”</i> para Cafarnaum. Entretanto, pode-se afirmar, com segurança, que nada se passava na vida do Salvador sem ter grandes razões como causa. De imediato, percebe-se não ser útil para a vida pública a manifestação de Sua divindade, na cidade de Nazaré. Jesus a escolheu para as décadas de Sua fase oculta, devido a Seu recolhimento, paz, pequenas proporções geográficas e população restrita. Não era, porém, própria para a difusão em grande escala da semente da Boa Nova. Ademais, “ninguém é profeta em sua própria pátria”, conforme Ele mesmo repetiria aos Seus concidadãos, basta ver o modo como foi expulso daquela cidade.</font></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">Um motivo mais sobrenatural levou Jesus a tomar este caminho: <i>“Começa Jesus a evangelizar as regiões por onde tivera início a defecção de Israel. Demonstra com isso Sua misericórdia e sabedoria, levando o remédio onde mais grave era o mal, servindo-Se de uma cidade populosa, mas incrédula e preocupada só com os negócios humanos, para que dali se irradiasse a pregação do Reino de Deus. Quis, assim, significar que quem mais necessita de remédio são os enfermos, não os sãos; e que nunca devemos resistir a nenhum apostolado sob pretexto de que o campo não está preparado para receber nosso trabalho”</i> <span class="Footnotereference">5</span>.</font></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><strong><em><font color="#b6000a">O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz</font></em></strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><font color="#443a8c">Cumprindo-se o que tinha sido anunciado pelo profeta Isaías, quando disse: “Terra de Zabulão e terra de Neftali, terra que confina com o mar, país além do Jordão, Galiléia dos gentios! Este povo, que jazia nas trevas, viu uma grande luz, e uma luz levantou-se para os que jaziam na sombra da morte.”</font></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">A citação de Isaías feita por São Mateus nestes versículos é retirada do texto hebraico e por isso não são transcritas algumas palavras como constam em nossas traduções mais correntes:</font></span><font size="2"><i><span style="font-family:Arial;">“No tempo passado foi levemente combatida a terra de Zabulon, e a terra de Neftali, e no tempo futuro serão cobertas de glória a costa do mar, além-Jordão, a Galiléia das nações. Este povo, que andava nas trevas, viu uma grande luz; aos que habitavam na região da sombra da morte nasceu-lhes o dia” </span></i><span style="font-family:Arial;">(Is 9, 1-2). </span></font><span style="font-family:Arial;"><font size="2">Trata-se de uma belíssima profecia que se cumpre ao estabelecer-Se o Senhor em Cafarnaum.<span>  </span>De fato, segundo nos é descrito pelo segundo livro dos Reis (15, 29), Teglatfalasar, rei dos Assírios, invadiu várias regiões, entre as quais as terras de Zabulon e Neftali, ou seja, a porção citada nesses versículos de Mateus. Isto se deu por um castigo de Deus. Foi assim devastada a Galiléia e tomada pelos gentios, e daí seu nome: “Galiléia dos Gentios”, localizada na zona limítrofe da Síria e da Fenícia, coalhada de pagãos. </font></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.1pt;"><font size="2">Essa era a principal razão de se terem constituído seus habitantes em objeto de desprezo da parte do resto da nação, pois grande era a infiltração de gentios arameus, itureus, fenícios e gregos, que inevitavelmente se mesclavam com os judeus de raça, conforme vem narrado no primeiro livro dos Macabeus (5, 15): <i>“E toda a Galiléia estava cheia de estrangeiros, com o fim de nos perderem”.</i> Tratava-se, como já dissemos, de uma região rica em comércio e por isso atraente para os vários povos.</font></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.1pt;"><font size="2">Ora, torna-se compreensível o quanto se corromperam as doutrinas e os bons costumes religiosos do povo eleito naquelas paragens, devido à forte e diversificada influência pagã, bem como o motivo pelo qual ele <i>“andava nas trevas”</i> e na <i>“sombra da morte”</i>.</font></span><font size="2"><i><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.2pt;">“Estavam os gentios sentados na região da sombra da morte — diz Crisóstomo — porque não tinham sequer uma partícula de luz divina que os iluminasse. Os judeus, que faziam as obras da lei, mas não conheciam a justiça do Evangelho, estavam nas trevas. Todas elas são dissipadas pela ‘grande luz’ do Messias. Não pode haver luz mais intensa e fixa, porque Jesus é a luz substancial: ‘Eu sou a luz do mundo’ (Jo 8, 12). Não desconfiemos jamais de sua eficácia para chegar ao fundo dos espíritos mais cobertos de trevas pela infidelidade, pela heresia, pela ignorância, pela indiferença; e façamo-nos sempre, por nossa pregação e nossas obras, filhos dessa luz e colaboradores de sua ação iluminativa”</span></i><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.2pt;"> <span class="Footnotereference">6</span>.</span></font></p>
<p><font size="2"><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.2pt;"></span></font><span style="font-family:Arial;"><strong><font color="#a0000c">III – A pregação do Reino dos Céus</font></strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><font color="#443a8c">Desde então, começou Jesus a pregar: “Fazei penitência porque está próximo o Reino dos Céus”.</font></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.2pt;"><font size="2">São Marcos também nos deixou o mesmo relato nestes termos: <i>“Completou-se o tempo, e aproxima-se o Reino de Deus; fazei penitência, e crede no Evangelho”</i> (Mc 1, 15). Enquanto um evangelista costuma falar em “Reino dos Céus”, o outro se refere ao “Reino de Deus”. Discutem os autores sobre este particular, mas para nossos objetivos não nos convém discorrer sobre ele e, por isso, tomemos as duas expressões como sinônimas.</font></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">Já na famosa conversa noturna com Nicodemos, Jesus fizera menção ao Reino de Deus (cf. Jo 3, 3-5). Agora começa propriamente Sua pregação pública sobre o tema. </font></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">É sabido o quanto os judeus esperavam por um reino político-social todo feito de glória para o povo eleito. Essa seria, para eles, a realização do Reino de Deus sobre a Terra. É em Cafarnaum que Jesus começa a retificar esse equívoco nacionalista, o que Ele fará progressivamente por meio de pregações, parábolas e polêmicas, com uma insuperável força didática e de lógica.</font></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><strong><em><font color="#b6000a">Natureza espiritual e caráter universal do Reino</font></em></strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">O método processivo para o estabelecimento do Reino anunciado pelo Divino Mestre se chocava com a concepção judaica de uma intervenção intempestiva do Todo-Poderoso, alçando aos píncaros a nação eleita. Figuras como as da semente, do grão de mostarda e do fermento (cf. Mt 13, 24-33) demonstravam o lento passo a passo da evolução do Reino anunciado e trazido por Ele.</font></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.2pt;"><font size="2">Ademais, o verdadeiro Reino é, sobretudo, religioso, sem possuir um fim político segundo o acen­tuado anseio da opinião pública daqueles tempos. Esse Reino se estabelece em oposição ao de Satanás. <i>“Se Eu, porém, lanço fora os demônios pela virtude do Espírito de Deus, é chegado a vós o Reino de Deus”</i> (Mt 12, 28). Não fará, portanto, uma oposição a César (cf. Mt 22, 21) e, por outro lado, não será nacional, mas universal: <i>“Digo-vos, porém, que virão muitos do Oriente e do Ocidente e se sentarão com Abraão, Isaac e Jacó no Reino dos Céus &#8230;”</i> (Mt 8, 11).</font></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">Sobre o versículo em questão, assim se exprime o grande exegeta Fillion:</font></span><font size="2"><i><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.2pt;">“Podia-se, pois, compreender o Salvador quando Ele fez ecoar através da Galiléia o ‘Evangelho do Reino’, já que esta boa nova fora anunciada há muito tempo, e que, recentemente, o Precursor a tinha proclamado com ardente zelo. Mas era preciso corrigir o que havia tomado uma má direção no espírito do povo, aperfeiçoar o que era bom, erguer às esferas superiores o que ainda não fora revelado em toda a sua extensão e, assim, retornar ao magnífico ideal dos profetas e até ultrapassá-lo. É por isso que — rejeitando com vigor as concepções mesquinhas e vulgares da maior parte dos seus compatriotas, desvinculando a noção de Reino de Deus das quimeras da escatologia judaica, protestando especialmente contra a pretensão dos fariseus e dos escribas de dar às esperanças messiânicas um aspecto puramente exterior e político, de maneira a fazer disso o monopólio de sua nação — Jesus insistiu incansavelmente na natureza espiritual e no caráter universal desse Reino”</span></i><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.2pt;"> <span class="Footnotereference">7</span>.</span></font></p>
<p><font size="2"><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.2pt;"></span></font><span style="font-family:Arial;"><strong><em><font color="#b6000a">A penitência abre as portas do Reino dos Céus</font></em></strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.1pt;"><font size="2">O Reino está próximo e, para nele penetrar, é preciso fazer penitência, humilhar-se, purificar-se. É a via segura para se obter a paz com Deus e consigo mesmo. Essa foi a condição colocada por Jesus, e por isso, <i>“não começou — diz o mesmo Crisóstomo — pregando as altas coisas da justiça da nova lei, mas as coisas íntimas da retificação da vontade pela penitência. Por aí se entra no Reino dos Céus: abandonando os maus hábitos, retificando intenções e inclinações erradas, concebendo desejos de viver bem e tendo pesar de haver feito o mal. É então que se pode já vislumbrar o gozo do cumprimento da perfeita justiça: ‘Fazei penitência…’ ‘Aproximou-se o Reino dos Céus…’” </i><span class="Footnotereference">8</span>.</font></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.1pt;"></span><span style="font-family:Arial;"><strong><font color="#a0000c">IV – Vocação dos primeiros discípulos</font></strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><font color="#443a8c">Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. “Segui-Me, disse-lhes, e Eu vos farei pescadores de homens.” E eles, imediatamente, deixando as redes, O seguiram. Passando adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca, juntamente com seu pai Zebedeu, consertando as suas redes. E chamou-os. Eles, deixando imediatamente a barca e o pai, seguiram-no.</font></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.2pt;"><font size="2">Pela narração de São João, tudo leva a crer que esses quatro apóstolos já conheciam Jesus. Os outros três evangelistas não fazem menção a esse prévio relacionamento. </font></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">O precursor apontara a André e João a figura do Messias e, por isso, ambos O seguiram e, logo após, aproximaram Pedro e Tiago. Um dia depois, fora chamado pelo próprio Jesus o apóstolo Filipe, o qual, por sua vez, atraiu Bartolomeu (cf. Jo 1, 35-51). Portanto, de certo modo, eles já eram discípulos do Salvador quando se desenrolam os fatos descritos nos versículos acima.</font></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">Pedro e André lavavam as redes provavelmente depois de uma pesca infrutífera, caso Lucas se refira à mesma cena (cf. Lc 5, 1-11). A eles dirige o Mestre o convite em tom quase imperativo, o que faz prever conversas anteriores preparatórias a esse momento no qual se concretizava uma antiga promessa de fazê-los pescadores de homens.</font></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">A mesma determinação será usada com os outros dois irmãos, filhos de Zebedeu, pelo Divino Mestre.</font></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.2pt;"><font size="2">A prontidão com a qual a dupla de irmãos abandona tudo, os dois últimos até ao próprio pai, indica bem o grau de intimidade existente entre eles e o Mestre, e o teor das conversas havidas até então. Jesus trabalhava com divina sabedoria e zeloso cuidado, cada um para o exercício dessa robusta fé e arrojada decisão. </font></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.2pt;"><font size="2">Alheias a essa tomada de atitude não deviam estar as orações silenciosas de Maria Santíssima. Ausente também não estava o esforço e o fogo de alma do Batista. Ele foi quem os congregara e os entregara ao Messias. Esses fatores todos conjugados levaram os quatro primeiros discípulos a, com espírito inflamado, dar as costas a este mundo e lançar, não mais as redes, mas a si próprios, não nas águas, e sim no Reino dos Céus.</font></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.2pt;"><font size="2">O Reverendíssimo Pe. Luís María Jiménez Font, S. J. faz um excelente comentário sobre essa passagem: <i>“Parece que a vocação dos apóstolos se passou da seguinte maneira: Cristo recebeu espontaneamente os que a Ele se juntaram, procedentes do discipulado do Batista — André e Pedro, João e Tiago —, e no primeiro retorno à Galiléia, Filipe e Natanael, aos quais permitiu Jesus retomar suas atividades depois da cura do filho do régulo, acabada a primeira pregação na Judéia, pois o primeiro ministério do Senhor na Galiléia, parece que Ele o fez completamente só. Quando já era conhecido na região, decidiu formalizar o ponto da colaboração alheia, e chamou novamente aqueles que no início O tinham acompanhado por devoção, para que O seguissem de modo definitivo e profissional, no dia da pesca milagrosa”</i> <span class="Footnotereference">9</span>.</font></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;letter-spacing:0.2pt;"></span><span style="font-family:Arial;"><strong><font color="#a0000c">V – Não tinha chegado a hora de Se manifestar como Filho de Deus</font></strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><font color="#443a8c">Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas e pregando o Evangelho do Reino de Deus, e curando todas as enfermidades entre o povo.</font></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">Depois de longas décadas no silêncio oculto de Nazaré, vemos agora o Salvador no pleno exercício de Sua missão pública, pregando sobre o Reino de Deus, curando os enfermos e expulsando os demônios. Não sabemos dizer quanto durou essa zelosa atividade apostólica, mas não seria exagerado supor ter ela se prolongado por vários meses.</font></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">É rica em conteúdo a apreciação feita pelos Professores da Companhia de Jesus, a propósito desse versículo 23:</font></span><font size="2"><i><span style="font-family:Arial;letter-spacing:-0.1pt;">“O evangelista resume nestes poucos versículos a missão de Cristo na Galiléia. Nos capítulos seguintes (5-7) ele nos vai apresentá-Lo primeiro como o grande doutor anunciado pelos profetas e, depois (8-9), como taumaturgo que opera toda classe de milagres para confirmar a verdade de Sua doutrina. Aqui, em geral, nos diz que Jesus percorria os povoados da Galiléia, sem dúvida acompanhado dos discípulos que acabava de escolher, ensinando a Boa Nova — é este o significado da palavra Evangelho —, a qual era a próxima vinda do Reino dos Céus (v. 17). Pregava, como anota o evangelista, nas sinagogas.</span></i><span style="font-family:Arial;letter-spacing:-0.1pt;"> [...] <i>Pregava também, como insinua o evangelista e veremos mais adiante, nos campos e nas praças. Confirmava a verdade de Sua doutrina com milagres, que eram ao mesmo tempo obras de caridade, curando toda espécie de enfermidades. Essas curas milagrosas eram uma das características do Messias anunciada pelos profetas, especialmente por Isaías (35, 5-6)”</i> <span class="Footnotereference">10</span>.</span></font><span style="font-family:Arial;"><font size="2">A convicção de Jesus quanto ao Seu papel de Messias jamais poderá ser posta em dúvida. Sua simples genealogia seria suficiente para demonstrar isso; nem se fale, então, sobre as revelações feitas por São Gabriel, tanto à Virgem Mãe quanto a Zacarias, a presença dos pastores no Presépio, a visita dos Reis Magos e a própria resposta dada a Maria ao reencontrá-Lo no Templo: <i>“Não sabíeis que é preciso eu cuidar dos interesses de meu Pai?”</i> (Lc 2, 49). Esses fatos evidenciam quão grande e exata era a compenetração que Ele possuía em relação à Sua missão.</font></span><span style="font-family:Arial;letter-spacing:-0.2pt;"><font size="2">Porém, se de um lado a consciência a respeito dos fins — imediato e último — era claríssima <i>ab initio</i> e nunca cresceu nem, menos ainda, diminuiu, Sua manifestação aos outros foi progressiva. Aqui na Galiléia encontramos o Divino Mestre numa fase inicial. </font></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">Era não só prematuro, mas até imprudente, revelar em todo ou em parte Sua divindade. Só muito mais tarde — por volta de dois anos após o Batismo no Jordão — Pedro proclamará sua filiação divina, por pura revelação do Pai, e, em seguida, os apóstolos receberão a ordem de manterem o assunto em sigilo. </font></span><span style="font-family:Arial;"><font size="2">A mesma norma de conduta será imposta aos demônios dos possessos (cf. Lc 4, 33-41, etc.) e aos próprios enfermos miraculados (cf. Mt 12, 16, etc.). E se assim não fosse, o resultado seria incontrolável, devido à forte impressionabilidade das multidões a propósito de um Messias político. Haja vista a reação do povo após a multiplicação dos pães (cf. Jo 6, 14-15).</font></span><font size="2"><span style="font-family:Arial;letter-spacing:-0.1pt;">No último ano de Sua vida pública, a manifestação será revestida de um esplendor exuberante. Mas, neste período da Galiléia, <i>“o Evangelho do Reino de Deus”</i> é pregado pelo Filho do homem a uma opinião pública com insuficiente fé para reconhecer a infinita grandeza do Filho de Deus.</span><span class="FimdeArtigo"><span style="font-family:Arial;letter-spacing:-0.1pt;"><font color="#ff0000"></font></span></span></font></p>
<div style="border-right:medium none;border-top:black 1pt solid;border-left:medium none;border-bottom:medium none;padding:1pt 0 0;"><span class="FimdeArtigo"><span style="font-family:Arial;"><font size="2" color="#ff0000"></font></span></span></div>
<p><span class="Footnotereference"><span style="font-size:10pt;line-height:120%;font-family:Arial;">1</span></span><span style="font-size:10pt;line-height:120%;font-family:Arial;">) Cf. AQUINO, São Tomás de<i>. Suma Teológica</i> III, q. 38, a.1, ad 2.</span><font size="2"><span class="Footnotereference"><span style="font-family:Arial;">2</span></span><span style="font-size:10pt;line-height:120%;font-family:Arial;">)</span><span style="font-family:Arial;"> Cf. TERTULLIANO, Quinti Septimii Florentis. <i>Adversius Marcionem</i>, l. IV, c. 33: PL 2, 471.</span></font><font size="2"><span class="Footnotereference"><span style="font-family:Arial;">3</span></span><span style="font-size:10pt;line-height:120%;font-family:Arial;">)</span><span style="font-family:Arial;"> </span><i><span style="font-family:Arial;">La Sagrada Escritura</span></i><i><span style="font-family:Arial;"> — Texto y comentario por Professores de la Compañía de Jesús</span></i><span style="font-family:Arial;">. </span><span style="font-family:Arial;">Madrid: BAC, 1961, pp. 49-50.</span></font><font size="2"><span class="Footnotereference"><span style="font-family:Arial;">4</span></span><span style="font-size:10pt;line-height:120%;font-family:Arial;">)</span><span style="font-family:Arial;"> MALDONADO, P. Juan de, S.J. <i>Comentarios a los cuatro Evangelios</i>. Madrid: BAC,<span>  </span>1950, v. I, p. 223.</span></font><font size="2"><span class="Footnotereference"><span style="font-family:Arial;">5</span></span><span style="font-size:10pt;line-height:120%;font-family:Arial;">)</span><span style="font-family:Arial;"> GOMÁ Y TOMÁS, Dr. D. Isidro. <i>El Evangelio explicado</i>. Barcelona: Rafael Casulleras, 1930, v. II, p. 72.</span></font><font size="2"><span class="Footnotereference"><span style="font-family:Arial;">6</span></span><span style="font-size:10pt;line-height:120%;font-family:Arial;">)</span><span style="font-family:Arial;"> Idem, ibidem.</span></font><font size="2"><span class="Footnotereference"><span style="font-family:Arial;">7</span></span><span style="font-size:10pt;line-height:120%;font-family:Arial;">)</span><span style="font-family:Arial;"> FILLION, L CL. <i>Vie de N.-S. Jésus-Christ</i>. Paris VI: Librairie Letouzey et Ané, 1922, t. II, p. 127.</span></font><font size="2"><span class="Footnotereference"><span style="font-family:Arial;">8</span></span><span style="font-size:10pt;line-height:120%;font-family:Arial;">)</span><span style="font-family:Arial;"> GOMÁ Y TOMÁS, Dr. D. Isidro. Ibidem.</span></font><font size="2"><span class="Footnotereference"><span style="font-family:Arial;">9</span></span><span style="font-size:10pt;line-height:120%;font-family:Arial;">)</span><span style="font-family:Arial;"> In de MALDONADO, P. Juan, S.J. Ibidem.</span></font><font size="2"><span class="Footnotereference"><span style="font-family:Arial;">10</span></span><span style="font-size:10pt;line-height:120%;font-family:Arial;">)</span><span style="font-family:Arial;"> <i>La Sagrada Escritura</i><i> — Texto y comentario por Professores de la Compañía de Jesús</i>. </span><span style="font-family:Arial;">Madrid: BAC, 1961, p.  54.</span></font></p>
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		<title>Paz! Onde estás?</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Feb 2008 13:59:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daviddomingues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Pe. João Scognamiglio Clá Dias, E.P.  
Revista Arautos do Evangelho 72 &#8211; Dezembro 2007
Paz! Onde estás? 
&#160;

&#160;



 Nascendo numa época corroída por misérias morais e sociais, Jesus veio renovar o mundo. E os primeiros anunciadores da boa nova foram os humildes pastores de Belém.




Evangelho




Quando os anjos se retiraram deles para o Céu, os pastores diziam entre si: “Vamos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=comentarioaosevangelho.wordpress.com&blog=2824271&post=3&subd=comentarioaosevangelho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div class="snap_preview">
<h2 align="left"><font color="#000080">Pe. <a target="_blank" href="http://www.joaocladias.org.br">João Scognamiglio Clá Dias</a>, E.P.</font>  </h2>
<h5 align="left">Revista <a target="_blank" href="http://www.arautos.org.br">Arautos do Evangelho </a>72 &#8211; Dezembro 2007</h5>
<h2 align="center"><a href="http://www.answers.com/topic/paz-6?nafid=22" class="answerlink"><font color="#800000">Paz</font></a><font color="#800000">! Onde estás?</font> </h2>
<p align="center">&nbsp;</p>
<div style="text-align:center;"><img src="http://comentarioaosevangelho.files.wordpress.com/2008/02/joaocla_meninojesuspequeno.jpg" alt="joaocla_meninojesuspequeno.jpg" /></div>
<p align="left">&nbsp;</p>
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<h2 align="center"> Nascendo numa época corroída por misérias morais e sociais, Jesus veio renovar o mundo. E os primeiros anunciadores da boa nova foram os humildes pastores de Belém.</h2>
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<h2></h2>
<p align="center"><b>Evangelho</b></p>
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<p align="left"><font color="#800000">Quando os anjos se retiraram deles para o Céu, os pastores diziam entre si: “Vamos até Belém e vejamos o que é que lá aconteceu e o que é que o Senhor nos manifestou”. <sup>16 </sup>Foram a toda pressa, e encontraram <a href="http://www.answers.com/topic/mar-a-novel?nafid=22" class="answerlink">Maria</a>, José e o Menino deitado na manjedoura. <sup>17 </sup>Vendo isto, contaram o que lhes tinha sido dito acerca deste Menino. <sup>18 </sup>E todos os que ouviram, se admiraram das coisas que os pastores lhes diziam. <sup>19 </sup>Maria conservava todas estas coisas, conferindo-as no seu coração. <sup>20 </sup>Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, conforme lhes tinha sido dito.” (Lc 2, 15-20).</font></p>
</blockquote>
</blockquote>
</blockquote>
</blockquote>
<p align="center"><strong>I &#8211; As conseqüências do pecado original</strong></p>
<p>Ao lermos o Gênesis, entristece-nos a história do primeiro pecado do homem, sobretudo ao nos darmos conta de que ali surgiu a fonte da progressiva brutalidade que se espalhou sobre a Terra.No início, o equilíbrio moral de nossos primeiros pais, Adão e <a href="http://www.answers.com/topic/characters-in-devil-may-cry?nafid=22" class="answerlink">Eva</a>, era vigorosamente forte e robusto, pois eles<i> “foram constituídos em um estado ‘de santidade original’</i> […] <i>O homem estava intacto e ordenado em todo seu ser, porque livre da tríplice concupiscência que o submete aos prazeres dos sentidos, à cobiça dos bens terrenos e à auto-afirmação contra os imperativos da razão”</i><sup> 1</sup>.Para romper essa barreira e ser lançada a humanidade num maremagno de desordens, de fato, bastou um só pecado: o original.</p>
<p><strong>O pecado leva à idolatria</strong></p>
<p><i>“A partir do primeiro pecado, uma verdadeira ‘invasão’ do pecado inunda o mundo: o fratricídio cometido por Caim contra Abel; a corrupção universal em decorrência do pecado”</i><sup> 2</sup>. Daí o mal ter se difundido por toda parte numa crescente voracidade, a ponto de conferir realidade à afirmação do poeta Plautus, quando este fez uma descrição do relacionamento entre os seres humanos, na sociedade de seus dias: <i>“Homo homini lupus”</i><sup> 3</sup>.Não tardou muito o homem em substituir o verdadeiro Deus &#8211; seu companheiro de conversa e passeio das tardes no Paraíso &#8211; por deuses falsos, ídolos materiais e sem vida. Foi com fundamento que Horácio, pela voz de um desses deuses, Príapo (deus da masculinidade e da fertilidade), ridicularizou essa apostasia: <i>“Tempos atrás, eu era o tronco de uma figueira selvagem, madeira imprestável, quando o marceneiro, hesitando sobre o que fazer de mim, se um banco ou um Príapo, preferiu que eu me tornasse o deus”</i><sup> 4</sup>.</p>
<p><strong>Os homens querem se fazer adorar</strong></p>
<p>A idolatria não exigiu para si somente figuras materiais, mas esse delírio se estendeu ao endeusamento de certas personalidades. Governantes inúmeros fizeram-se adorar por seus súditos. O título de Augusto, conferido pelo Senado Romano ao Imperador Otávio, tornou-se uma amostra do desequilíbrio de espírito daqueles tempos.Digna é de nota a <i>proskynesis</i> (o ósculo da poeira do chão pelos súditos, diante do soberano). Um exemplo clamoroso nessa linha deu-se com Alexandre Magno que “<i>com a ‘proskynesis’</i> […] <i>exigia o reconhecimento de que oficialmente, em sua qualidade de rei</i> […], <i>ele não era mais um homem, mas sim, um deus. Em outras palavras, quando Alexandre exigiu que gregos e macedônios se prostrassem a seus pés e osculassem a poeira diante dele, queria que o reconhecessem como deus”</i><sup> 5</sup>.Por trás dessas práticas encontrava-se, evidentemente, a idolatria ao próprio Satanás, denunciada por São Paulo em sua primeira Epístola aos Coríntios: <i>“Considerai Israel segundo a carne: não entram em comunhão com o altar os que comem as vítimas? Que quero afirmar com isto? Que a carne sacrificada aos ídolos ou o próprio ídolo são alguma coisa? Não! As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios”</i> (1 Cor 10, 18-21).</p>
<p><strong>Infame humilhação das mulheres</strong></p>
<p>E como não poderia deixar de ser, todo esse culto era acompanhado de abjetas depravações, como por exemplo a “prostituição sagrada”, perpetrada no interior dos templos babilônicos e assírios, conforme nos relata o próprio Heródoto<sup> 6</sup>. Esse mesmo costume era comum e corrente nos templos de Afrodite e de Vênus, na Grécia, como também nos de Astarte, na Síria.E qual a fonte “vocacional” dessas “sacerdotisas”? Basta percorrer os números 181 e 182 do conhecido “Código de Hamurábi” (aproximadamente 1793 a 1750 a.C.), tão exaltado por certos historiadores, para conhecermos a regulamentação de como deviam os pais proceder para doarem suas filhas aos templos. Ademais, relata Heródoto que, em Babilônia, todas as mulheres nativas, sem qualquer exceção, pelo menos uma vez na vida deviam passar por essa infame humilhação no templo de Melita<sup> 7</sup>.Esse horroroso costume era rigorosamente observado também na ilha de Chipre. O mesmo se dava na Fenícia, entre os adoradores de Baal; idem na Frígia, no culto a Cibele e Átis. E não nos esqueçamos de que se atribuíam, aos deuses do Olimpo, não poucos roubos, parricídios, raptos, incestos, infanticídios, etc.</p>
<p><strong>Horrores no trato dispensado às crianças</strong></p>
<p>Se injusto e brutal era o trato dispensado às mulheres, melhor não era o dado às crianças. Heródoto nos faz chegar ao conhecimento os horrores nessa matéria, como por exemplo ter sido prática legal na Grécia, permitida aos tutores das crianças, a pedofilia, que posteriormente foi copiada pela Pérsia<sup> 8</sup>.Um famoso historiador francês assim nos narra como deveriam ser consideradas as crianças que nascessem defeituosas: <i>“O Estado tinha o direito de não tolerar que seus cidadãos fossem disformes ou mal constituídos. Por isso ele ordenava ao pai, ao qual nascesse um filho nessa situação, que o fizesse morrer. Essa lei se encontrava nos antigos códigos de Esparta e de Roma”</i><sup> 9</sup>.</p>
<p><strong>Falta de amor na família</strong></p>
<p>E quanto à constituição familiar <i>“os adultérios e divórcios estavam na ordem do dia; havia mulheres que tinham se casado vinte vezes”</i><sup> 10</sup>. O que evidentemente conduzia a um trato social despótico e injusto. <i>“A falta de amor na família levou à desumanidade para com os escravos, os pobres e os trabalhadores”</i><sup> 11</sup>.As trevas do pecado invadiam todos os povosSeria um não mais terminar se procurássemos nos aprofundar na recordação do ambiente social e moral dos últimos tempos da Antiguidade. Para formarmos uma idéia de síntese desse período histórico, basta correr os olhos sobre o primeiro capítulo da Epístola aos Romanos: <i>“Deus os entregou a paixões degradantes</i> […] <i>E é assim que fazem o que não devem. Estão repletos de toda espécie de injustiça, perversidade, ambição, maldade; cheios de inveja, homicídios, discórdia, falsidade, malícia; são difamadores, maldizentes, orgulhosos, arrogantes, engenhosos para o mal, rebeldes para com os pais, estúpidos, desleais, inclementes, impiedosos” </i>(Rm 1, 26.28-31).Essa era a terrível noite que, como um negro manto de drama, sofrimento e dor, envolvia a humanidade daqueles tempos como um dos frutos do pecado original. Entre o próprio povo eleito, raros escapavam das influências da ambição dos fariseus hipócritas, que iam ao Templo por pura vanglória e exibicionismo, em busca de honras. As trevas do pecado envolviam todos os povos, e o domínio de Satanás se estendia por toda a Terra.Como reparar tanto horror? Como de certa forma restabelecer a antiga ordem e reabrirem-se as portas do Céu? Nesse caos tão generalizado, onde encontrar, na face da Terra, criaturas humanas que dessem a Deus um louvor puro e inocente?</p>
<p align="center"><strong>II &#8211; O Menino que reverteu a História</strong></p>
<p>Entremos numa certa gruta e ali veremos um Menino adorado por sua Mãe Santíssima e São José, reunidos em família, oferecendo mais glória a Deus do que toda a humanidade idólatra, e até mesmo mais do que os próprios anjos do Céu em sua totalidade. Já em seu nascimento, numa singela manjedoura, aquele Divino Infante reparava os delírios de glória egoísta sofregamente procurada pelos pecadores. Ele se encarnava para fazer a vontade do Pai e, assim, dar-nos o perfeitíssimo exemplo de vida.Nenhum pensamento, desejo, palavra ou ação surgida de sua alma divinamente santa terá outro fim que não seja o de glorificar o Pai, a quem tudo consagrou desde o primeiro instante. Não tardarão muitos séculos, depois daquele natal, para os altares dos falsos deuses serem arrasados, os ídolos quebrados, os templos pagãos destruídos &#8211; ou convertidos em santuários &#8211; e os próprios demônios se calarem. Sim, aquele Menino nascido numa gruta reverterá o trabalho realizado por Satanás durante milênios, e a Roma pagã será a sede do Cristianismo; transformada na Cidade Eterna, dentro de ­suas muralhas, sobre uma pedra inabalável, se estabelecerá até o fim dos tempos  uma infalível cátedra da moral e da verdade.</p>
<p><strong>Os pastores são convidados pelos Anjos</strong></p>
<p>Mas, por outro lado, onde encontrariam os anjos, homens dignos de serem convidados para adorar o Menino? Na própria Belém, o berço de Isaí (1 Sm 16, 1) e de seu filho <a href="http://www.answers.com/topic/david?nafid=22" class="answerlink">Davi</a>, o humilde e jovem pastor <i>“louro e de formosos olhos”</i> (1 Sm 16, 12). Nos campos daquelas regiões, escolheram os anjos os destinatários do grande anúncio, pessoas pertencentes à mesma condição social do Rei e <a href="http://www.answers.com/topic/profeta?nafid=22" class="answerlink">Profeta</a>: os pastores de ovelhas. Assim, dois cortesãos do mais nobre sangue &#8211; Maria e José -, junto com os pastores de condição humilde e a própria Corte Celeste constituiriam os adoradores do Menino-Deus recém-nascido. Do Templo, nenhum representante.Os escribas e fariseus desprezavam aquela classe de homens que, dia e noite, no verão ou no inverno, guardavam os rebanhos naquelas pastagens de Belém. Pelo seu teor de vida, os pastores não se enquadravam nas minuciosas práticas e abluções religiosas dos cerimoniais farisaicos. Os terrenos por eles ocupados não eram suficientemente irrigados e, por isso, não lhes assistia um escrupuloso asseio. Ademais, a instrução era por eles acolhida diretamente na própria natureza que não lhes ensinava o uso de vasilhas, a escolha dos alimentos puros etc. Formavam eles uma comunidade à margem da sociedade, que vivia do pasto e no pasto, portanto um povo da terra, totalmente desprezado pelos fariseus. Além disso, eram excluídos do normal procedimento dos tribunais, sendo considerados inválidos seus testemunhos em juízo. Paradoxalmente, os excluídos dos pleitos farisaicos são agora convidados,pelos anjos do Supremo Juiz, a penetrar na corte de um príncipe herdeiro do trono de Davi.</p>
<p align="center"><strong>III &#8211; A adoração dos pastores</strong></p>
<p><sup>15 </sup>Quando os anjos se retiraram deles para o Céu, os pastores diziam entre si: ‘Vamos até Belém e vejamos o que é que lá aconteceu e o que é que o Senhor nos manifestou’.A flexibilidade de alma daqueles pastores era plena, submissa e toda feita de prontidão. O anjo lhes dissera para não temerem (cf. Lc 2, 10) e não consta nesse relato de Lucas que tenham passado por algum espanto ao longo do contato com aqueles puros espíritos.Ora, sabemos pela História o quanto os judeus se amedrontavam com as aparições angélicas, julgando que a morte com certeza se lhes seguiria (cf. Jz 6, 22-23; Jz 13, 20-22; Tb 12, 16-17). Mas esses pastores, apesar de homens de pouquíssimo conhecimento, intuíram rapidamente que, por fim, nascera o Messias.Sem conhecer as amplas e profundas explicações doutrinárias dos fariseus, eles como todo e qualquer judeu, sabiam da promessa feita por Deus e anunciada pelos profetas aos antigos sobre o futuro aparecimento de um <a href="http://www.answers.com/topic/salvador-brazil?nafid=22" class="answerlink">Salvador</a>. Não seria quiçá esse o tema de suas conversas durante as noites de pastoreio?Restou-nos apenas uma síntese das palavras do anjo a eles. Entretanto não será exagerado crer que ele lhes tenha esclarecido qual deveria ser o lugar e o caminho de acesso à gruta, tanto mais que lhes indicou os sinais distintivos: <i>“Encontrareis um Menino envolto em panos e posto no Presépio”</i> (Lc 2, 12).As grutas da região lhes deviam ser muito familiares, pois eram os locais de refúgio onde buscavam proteção contra as intempéries. Tampouco se pode descartar a hipótese de ter havido antecedentes de partos ocorridos em circunstâncias análogas às do Natal. O certo é que em nenhum momento lhes passa pela alma a menor dúvida e, por isso, comentam entre si, em meio a muita alegria, o fato narrado pelo anjo, e convictamente concluem e decidem empreender a caminhada rumo ao <i>“que o Senhor nos manifestou” </i>(v. 15).</p>
<p><strong>Receberam com fervor a boa nova</strong></p>
<p><sup>16 </sup>Foram a toda pressa, e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura.O amor não admite lentidão. A pressa dos pastores comprova o grande fervor com que receberam a boa nova.Como não conheciam o emaranhado conceitual dos fariseus, não se levantou em suas almas a menor objeção sobre a realidade do Messias que se lhes manifestava diante de todos e de cada um. Trinta e poucos anos mais tarde, a cega doutrina dos escribas e fariseus se uniria aos conceitos dos saduceus e herodianos &#8211; sem excluir os do próprio Sinédrio &#8211; para se opor ao senso comum e sobrenatural dos humildes de espírito e assim, com entranhado ódio, empregar todos os recursos com vistas à condenação do <i>“Salvador, que é Cristo e Senhor,</i> [nascido] <i>na cidade de Davi”</i> (v. 11).Ali na gruta, naquele momento, estavam presentes o Pai Eterno e o Divino Espírito Santo, que viam naquele tenro, delicado e ao mesmo tempo grandioso Menino, a realização de um plano idealizado desde todo o sempre: <i>“Tu és meu filho muito amado, em quem coloco todas as minhas complacências”</i> (cf. Lc 4, 22  e  Mc 1, 11). Como também Maria Santíssima, que através de seus altíssimos dons, de maneira inigualável penetrava os mistérios daquele Nascimento. José a acompanhava muito de perto. Abismados ambos pela incomensurável humildade de Deus em fazer-se homem &#8211; à diferença da soberba dos demônios -, concentravam-se para adorar o Divino Infante.<strong>Foi-lhes concedido um dom de fé flexível e obediente</strong>Lá chegam agora também os pastores, em simplicidade e pobreza, atraídos e amados por Deus devido a seu espírito de obediência, e por serem contemplativos. Não era a pobreza material que os tornava diletos de Deus, pois pobres os havia em situação ainda mais deficiente e em maior número. Ademais, não podemos nos esquecer de que essa não era a condição social dos Reis Magos, que paralelamente estavam se pondo a caminho para adorar o Divino Infante.Por outro lado, seria outro erro querer atribuir ao portentoso milagre da aparição dos anjos, durante a noite, o fator decisivo para a crença daqueles homens toscos e talvez iletrados. Quão maiores e incontáveis seriam os milagres operados por aquele Menino em sua vida pública! Entretanto, muitos judeus não creram.</p>
<p><strong>O fator decisivo foi um especial dom de fé que lhes foi concedido.</strong></p>
<p>A Teologia nos ensina que há uma fé que se poderia denominar puramente intelectual: a pessoa crê em Deus, mas chega a odiá-Lo e temê-Lo como fazem os demônios e os precitos. Há, ainda, os que crêem, mas não traduzem em obras sua fé. Os fatos, como nos são narrados por Lucas, fazem-nos concluir que os pastores possuíam uma fé flexível e obediente, colocando em prática tudo aquilo em que acreditaram. Sem perda de tempo, submeteram todo o seu entendimento e vontade ao que lhes anunciou o sobrenatural.É naquela noite que, diante do Presépio, encontramos os primeiros cristãos adorando a Cristo, o Absoluto abnegado, despido das manifestações da glória que Lhe é devida. Os pastores, ao serem capazes de adorá-Lo na manjedoura, não teriam dificuldade de fazê-lo no Calvário, tal como Maria o fez de modo tão sublime.Nós também, nos dias atuais, temos o nosso presépio. O mesmo Unigênito Filho de Deus, reclinado sobre as palhas no interior da gruta em Belém, está presente debaixo das Espécies Eucarísticas. Será que igualmente nos movemos “apressadamente” em busca do Salvador, como o fizeram os pastores?</p>
<p><strong>Proclamaram maravilhas de que tinham sido testemunhas</strong></p>
<p><sup>17 </sup>Vendo isto, contaram o que lhes tinha sido dito acerca deste Menino.O bem é de si eminentemente difusivo, e por isso, os pastores, de adoradores transformam-se em arautos das maravilhas contempladas por eles, antecedendo de muito os apóstolos e até mesmo o Precursor, João Batista, em suas missões.Esse inesquecível Natal, pela mesma razão, fará cantar o coração dos pregadores, santos e Doutores:<i>“Nós nos reunimos para admirar o aniquilamento do Verbo e gozarmos do piedoso espetáculo de ver como Deus desce para nos levantar, se rebaixa para fazer-nos crescer, e se empobrece para repartir-nos seus tesouros”</i><sup> 12</sup> &#8211; afirma Bossuet.Também São Boaventura proclama as maravilhas da graça operadas no Natal:<i> “Para curar, Deus teve de unir-se à natureza humana, sem exceção de nenhuma parte, pois ela toda estava enferma. Diz-se que se ‘encarnou’ por ser a carne o que é mais enfermo e para indicar melhor a humilhação de Deus”</i><sup> 13</sup>.E São Tomás assim explica o nascimento d’Aquele que é eterno:<i> “Pode-se afirmar que Cristo nasceu duas vezes, segundo seus dois nascimentos; porque assim como se diz que corre duas vezes o que corre em dois momentos, assim também se pode dizer que nasce duas vezes o que nasce uma vez na eternidade e outra no tempo; porque a eternidade e o tempo  diferem muito mais que dois momentos, ainda que um e outro designem una medida de duração”</i><sup> 14</sup>.<sup>18 </sup>E todos os que ouviram, se admiraram das coisas que os pastores lhes diziam.Após ter sido a própria Virgem Santíssima a primeira anunciadora da Boa Nova junto à sua prima <a href="http://www.answers.com/topic/santa-isabel-volcano?nafid=22" class="answerlink">Santa Isabel</a>, agora os pastores movem-se para proclamar as maravilhas das quais tinham sido testemunhas.A aparição do anjo e sua mensagem, a multidão de outros puros espíritos entoando cânticos celestiais, a constatação da realidade dos fatos na própria gruta, ao encontrarem Maria, José e o Menino, devem ter sido acontecimentos que arrebatavam a todos quantos deles tomavam conhecimento. Tanto mais que provavelmente os pastores deviam estar tomados pelo sopro do Espírito Santo e iluminados em sua missão.</p>
<p><strong>Maria conferia tudo o que acontecia no seu coração</strong></p>
<p><sup>19 </sup>Maria conservava todas estas coisas, conferindo-as no seu coração.A propósito da afirmação feita por Lucas nesse versículo, ouçamos o que nos comenta Maldonado: <i>“Observava, sim, como creio, todas as coisas, não como se desconhecesse o mistério delas, mas vendo com gozo como se confirmava com novos prodígios e pelo testemunho daqueles pastores, o que ela tinha conhecido antes, pelo anjo Gabriel. Este é o significado das palavras do evangelista, quando ele diz: Ela as conferia em seu coração; ou seja, comparava estas coisas com as que haviam precedido, via a coincidência de todas elas, para confirmar a fé neste mistério, como diz Eutímio.</i> […]<i>Segundo São Beda, Maria comparava as coisas que aconteciam com as palavras das antigas profecias: ‘Como lia as Sagradas Escrituras e conhecia muito bem os profetas, comparava consigo o que ia acontecendo acerca do Senhor, com o que d’Ele mesmo via escrito pelos profetas; e conferindo ambas as coisas, via que coincidiam admiravelmente, com uma luz comparável à dos próprios Querubins. Havia dito Gabriel: Eis que conceberás e darás à luz um filho. E antes Isaías havia predito: Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho. Havia profetizado Miquéias (4,  que viria o Senhor à filha de Sion, na Torre do Rebanho, e então voltaria o antigo império. E dizem agora os pastores que lhes apareceram milícias da cidade celestial, na Torre do Rebanho, cantando a vinda do Messias. Maria havia lido (Is 1, 3) que o boi conheceu seu dono e o asno, o presépio de seu senhor; e via o Filho de Deus dar vagidos no presépio, vindo para salvar os homens e animais. Eem todas e em cada uma dessas coisas comparava o que havia lido, com o que ouvia e via’.</i><i>Diz </i>em seu coração<i> para indicar que guardou tudo em seu interior, sem revelar a ninguém. Exemplo admirável de humildade e modéstia virginal, como nota Santo Ambrósio: ‘Aprendamos a castidade da Virgem em todas as coisas, a qual, não menos recatada em seus lábios que em sua carne, conferia em seu coração esses mistérios divinos’. A mesma coisa comentou São Bernardo.”</i><sup> 15</sup>.</p>
<p><strong>Maternal acolhida</strong></p>
<p><sup>20 </sup>Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, conforme lhes tinha sido dito.Não pode deixar de ser que a Santíssima Virgem os tivesse acolhido com maternal afeto e bondade. Se os anjos condescenderam em lhes aparecer, tal seria que Maria não completasse, com sua nota de Rainha e Mãe, a missão de seus celestiais súditos, acentuando nas almas daqueles homens simples, mas cheios de fé, as graças que Deus lhes concedera.Deveriam eles retomar os cuidados dos respectivos rebanhos, mas tudo leva a crer que não lhes foi fácil cumprir, de imediato, com seus deveres de ofício. Percebe-se, pela manifestação piedosa de sua alegria, o quanto estavam tomados por graças superabundantes e místicas.</p>
<p align="center"><strong>IV &#8211; Considerações finais</strong></p>
<p>Os anjos cantam e proclamam a instituição do Reino de Cristo que nasce na gruta em Belém. A manifestação desse Reino constitui a glória reparadora, e os que o dão a conhecer glorificam-no, assim como ao próprio Deus e Sumo Bem. O adorável Menino nasceu para tornar conhecido o Pai entre os homens e, assim, poder d’Ele receber a devida glória: <i>“Glorifiquei-Te sobre a terra; acabei a obra que me deste a fazer”</i> (Jo 17, 4).Ali também, sob certo ponto de vista, com o nascimento de seu Fundador, nasce a Santa Igreja, como afirma Santo Ambrósio: <i>“Vede as origens da Igreja nascente”</i><sup> 16</sup>. Uma nova luz brilhou sobre a terra: <i>“Este povo, que jazia nas trevas, viu uma grande luz, e uma luz levantou-se para os que jaziam na sombra da morte”</i> (Mt 4, 16).Viverá o mundo de hoje sob os influxos dessas graças, ou terá dado as costas a esse incomensurável benefício obtido pela maternal mediação de Maria? A segunda hipótese parece ser a mais provável, infelizmente.Neste caso encontrará a humanidade a tão desejada, necessária e propalada paz? Jamais, se não a procurar onde realmente ela se encontra: <i>“Deixemos, pois, as obras das trevas, e revistamo-nos das armas da luz”</i> (Rm 13, 12). </p>
<p>______________</p>
<p style="margin:0 0 0 10.75pt;" class="MsoFootnoteText"><font size="2"><font face="Dutch801 Rm BT"><span class="Footnotereference"><span>1) CIC, nº 375-377.<br />
2) Idem, nº 401.<br />
3) PLAUTUS. Titus Macci, Asinaria, II. iv, 495.<br />
4) QUINTUS, Horatius Flaccus. Satyrarum libri, livro 1, poema 8.<br />
5) FERGUSON, William Scott. Greec Imperialism. Kitchener (Canadá): Batoche Books, 2001, pp. 68 e 69.<br />
6) Cf. HERODOTUS. Book 1, Clio, nº 181. In Kitson, J., Herodotus Website, <a href="http://www.herodotuswebsite.co.uk/">www.herodotuswebsite.co.uk</a>, 2003.<br />
7) Cf. Idem, 199.<br />
 <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_cool.gif' alt='8)' class='wp-smiley' /> Ibidem.<br />
9) COULANGES, Fustel de. La Cité Antique, l. 3, c. 17. Paris: Flammarion, 1984, p. 78.<br />
10) WEISS, Juan Bautista, Historia Universal. Barcelona: La Educación, 1928, v. III, p. 653.<br />
11) Idem, p. 654.<br />
12) BOSSUET, Sermão de Natal ed. Lebarq, t. 2 p. 274, Paris, Desclée, 1929.<br />
13) SAN BUENAVENTURA. Breviloquio, p. 4ª: BAC, Obras de San Buenaventura, t. 1 p. 335.<br />
14) AQUINO, São Tomás de. S.T. III q. 35 a. 2 ad 4.<br />
15) MALDONADO, P. Juan de, S. J. Comentarios a los Cuatro Evangelios. Madrid: BAC, 1951, v. II, p. 393-394.<br />
16) Lib. 2, in c. 2 Lc. (Exposição do Evangelho segundo Lucas)</span></span></font></font></div>
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